ST 09: Entre margens e centros: Poder, memória e representações no ofício do historiador
Dr. Cristian Barreto de Miranda (SEC-BA)
Me. Naildo de Oliveira Rodrigues (UEFS)
O presente, enquanto espaço de tensão entre campo de experiência e horizonte de expectativa (KOSELLECK, 2006), é atravessado por uma crise na relação com o tempo, marcada pelo que François Hartog (2014) denomina de “presentismo”. Nesse contexto de ruptura, caracterizado por violências, disputas e reconfigurações, a produção do conhecimento histórico revela-se profundamente imbricada em jogos assimétricos de poder, nos quais operam silenciamentos, exclusões e disputas narrativas.
Diante desse cenário, o historiador assume um papel ativo e crítico, atento às forças que emergem tanto dos centros quanto das margens. Como “historiador sucateiro” (BENJAMIN, 1987), interessa-se pelos vestígios, ruínas e rastros deixados pelos sujeitos historicamente subalternizados, cujas experiências foram frequentemente relegadas ao esquecimento ou à marginalidade. Concomitantemente, reconhece que essas narrativas não existem isoladamente, mas em constante tensão, negociação e circularidade com estruturas hegemônicas. As memórias subterrâneas, as táticas cotidianas de resistência e os modos alternativos de narrar o passado exigem da produção historiográfica variações de escala, deslocamentos de perspectiva e abertura a múltiplas fontes e linguagens: relatos orais, literatura, imprensa, processos judiciais, iconografia, cultura digital e outras formas de expressões (CERTEAU, 1998; REVEL, 1998)
Este simpósio propõe, portanto, um espaço para refletir criticamente sobre as relações entre história, poder, memória e representação, enfatizando tanto os sujeitos e experiências marginalizadas quanto os processos de construção, circulação e disputas das narrativas históricas (POLLAK, 1989; TROUILLOT, 2024. Busca-se fomentar debates sobre epstemologias dissidentes, ética na produção do conhecimento, usos da memória, literatura de testemunho, identidades e práticas culturais, bem como os desafios contemporâneos do fazer historiográfico.