MC 02: Entre crimes e narrativas: experiências femininas e escrita da história a partir de processos criminais (séc. XVIII–XX)


Ministrado por: Tainara Santos de Santana (UNEB); Tauanderson da Silva de Jesus (UNEB).

Local: Campus São Lázaro; 

Data: 03 de novembro e 04 de novembro.


Ementa: O minicurso tem como objetivo discutir o uso de processos-crime como fonte privilegiada para a escrita da história das mulheres, no âmbito da História Social, em diálogo com a História do Direito, entre os séculos XVIII e XX. Parte-se da compreensão de que os documentos judiciais, especialmente os processos criminais, constituem espaços de produção de discursos sobre gênero, moralidade, religiosidade, sexualidade e controle social. Busca-se analisar as especificidades dessas fontes, suas condições de produção e os desafios metodológicos envolvidos em sua interpretação, considerando as mulheres tanto como objeto de normatização quanto como sujeitas históricas. O curso propõe refletir sobre como essas documentações permitem acessar experiências femininas, práticas sociais e representações sobre as mulheres.


Metodologia: A metodologia articula teoria e prática, com ênfase na análise crítica de documentos judiciais. Serão desenvolvidas: aulas expositivas dialogadas sobre fundamentos teóricos; discussões de textos que utilizam processos-crime como fonte; oficinas de análise documental, com leitura orientada de processos judiciais envolvendo mulheres; exercícios de problematização das fontes, considerando categorias como gênero, raça, moralidade, crime e controle social; elaboração de propostas de pesquisa, nas quais os participantes deverão mobilizar os processos-crime como fonte central.


Conteúdo Programático

1º dia - Apresentação do minicurso, objetivos, metodologia e participantes:


2º dia - Revisão do encontro anterior e alinhamento das atividades:


Bibliografia

CELLARD, André. A análise documental. In: POUPART, Jean et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 295-316.

CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro na Belle Époque. São Paulo: Brasiliense, 1986.

DANTAS, Monica Duarte; RIBEIRO, Filipe Nicoletti. A importância dos acervos judiciais para a pesquisa em história: um percurso. LexCult: revista eletrônica de direito e humanidades, [S. l.], v. 4, n. 2, p. 47-87, ago. 2020.

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo: Brasiliense.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.

GINZBURG, Carlo. Sinais: raízes de um paradigma indiciário. In: GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

GRINBERG, Keila. Processos criminais: a história nos porões dos arquivos judiciários. In: PINSKY, Carla Bassanezi; LUCA, Tânia Regina de (org.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009. p. 119-139.

NOGUEIRA, L. Monique. Andanças femininas no Atlântico: mulheres escravas processadas pelo Santo Ofício da Inquisição de Portugal (séculos XVII e XVIII). Anais de História de Além-Mar, v. 21, p. 175-195, 2020. 

SANTANA, S. Tainara. “Desnaturadas, bárbaras e cruéis”: as mulheres e o crime de infanticídio na Salvador republicana (1890-1930). Revista Discente Ofícios de Clio, v. 10, n. 19, p. 432-446, 2026.

SANTOS, Vanicléia Silva. Mulheres africanas nas redes dos agentes da Inquisição de Lisboa: o caso de Crispina Peres, em Cacheu, século XVII. Politeia - História e Sociedade, [S. l.], v. 20, n. 1, p. 67-95, 2021. 

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.